quinta-feira, 5 de junho de 2014

Bem vindo ao nosso blog

Dedicamos esse espaço a construção de uma sociologia sensível e preocupada com os sentimentos e as dores que a convivência social infringe aos indivíduos. Depressão, medo, vergonha, culpa, empatia, enfim, todas as emoções  que sentimos estão relacionadas a alguém ou alguma situação. Contribua para a construção do nosso blog, deixe seu comentário, faça sugestões, nos siga!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

O GT 'Emoções, Religiosidades e Lazeres', coordenado pelas Doutoras Marieze RosaTorres (CRH/UFBA), Francisca Verônica Cavalcante (NUPEC/UFPI) e Lila Cristina Xavier Luz (NUPEC/UFPI) convida estudantes, pesquisadores e demais interessados a submeterem propostas de comunicações orais e pôsteres, a serem apresentados no XIII ABANNE / IV Reunião Equatorial de Antropologia e XIII Reunião de Antropólogos do Norte e Nordeste. O evento acontecerá entre os dias 04 a 07 de Agosto - Fortaleza, 2013 e as inscrições de propostas de comunicações orais e pôsteres para os Grupos de Trabalho podem ser feitas até o dia 21/04/2013   

Apresentação:://www.reaabanne2013.com.br/site/
15. Grupo de Trabalho: Emoções, Religiosidades e Lazeres.

O Núcleo de Estudos sobre Criança, Adolescente e Jovem –NUPEC/UFPI tem desenvolvido pesquisas acerca de temáticas como religiosidades, lazer, adoção, coletivos juvenis, trabalho, educação, afetos e sexualidades, dentre outras, contemplando recortes de geracional, de gênero, raça/etnia e classe social e o Grupo de Estudos Cultura, Sociabilidades e Sensibilidades Urbanas do CRH/FFCH da UFBA, que tem realizado atividades de formação em sociologia das emoções e de pesquisas com ênfase em emoções e sentimentos, adolescência, juventude, e sexualidades, estabeleceram parceria na promoção do presente GT, buscando estreitar a interlocução e a troca de experiência entre os seus pesquisadores, na perspectiva de constituição da Rede Interinstitucional, Interdisciplinar e Inter-setorial de Pesquisa e Extensão nas temáticas emoções, religiosidades e lazeres (LUZ, 2010).

A presente proposta intenta propiciar debates e reflexões antropológicas em torno dessas temáticas, as quais têm contribuído fortemente para se pensar os conceitos de “saúde” e de “doença” na sociedade contemporânea (Ver LAPLANTINE, F. 2004). Bem como sobre as maneiras de se lidar com as emoções e sentimentos de sofrimento e excitação (HOCHSCHILD, 1979, ELIAS, 2001). O termo Emoções é aqui compreendido como “uma categoria de entendimento capaz de apreender a noção de humano e de sociedade como um todo” (Ver KOURY, TORRES, 2009). Intentamos refletir sobre emoções “nas inter-relações sempre tensas entre indivíduo social e sociedade”, para conciliar os seus estados interiores com os ditames sociais e os códigos culturais sobre o sentir (HOCHSCHILD, 1979), considerando que o crescimento acelerado de terapias neoesotéricas e de cuidados paliativos e de busca de lazeres na sociedade brasileira, são maneiras de enfrentamento do sofrimento e de busca da saúde que permitem relacionar self e sociedade. A problemática da subjetividade e das emoções, a relação sujeito-objeto, terapeuta-fruidor, enquanto trocas marcadas por códigos culturais que definem e emoções.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Resenha do texto:

MAUSS, Marcel. A expressão Obrigatória dos Sentimentos. (1921) cap. 4.

    O capítulo analisa os ritos orais funerários de sociedades dadas como primitivas, encontradas na região do Rio Tully, Austrália. A partir da análise dos cantos funerários, Mauss objetiva demonstrar, para fins de generalidade sobre as manifestações sentimentais entre os primitivos, que há um emprego obrigatório e moral que sanciona a expressão de sentimentos de modo que os ânimos individuais (fisiologicamente e psicologicamente) referidos à ocasião do luto, no caso, tenham sua expressividade coordenada por dispositivos sociais (entendidos como exteriorização ao individual), determinada pelo caráter público da cerimônia, cuja funcionalidade responderia ao reforço dos laços de coesão. Portanto, os sentimentos não são, ou não são apenas, vividos de forma espontânea, mas construídos na interação social.
    Como dados para sua formulação, Mauss traz descrições acerca dos elementos orais que constituem o ritual – gritos, berros, voceros cantados, sessões espíritas e conversas com o morto – indicativas de que os sentimentos e ideias ali expressos são experiências coletivas demonstrativas da intensidade e densidade de interação do grupo. O autor ainda menciona outros trabalhos etnográficos que servem para precisar o caráter prefixado que arrola as designações e respectivas atitudes da expressão pública de sentimentos, a exemplo do regramento da duração do tempo de luto, da incumbência de agentes específicos (mulheres) como portadores do luto, estabelecendo quem e  por quanto tempo há de se chorar, cantar e gritar.  
    Nas últimas páginas do capítulo, Mauss sintetiza sua tese. Sua síntese propõe, então, duas assertivas elementares para a sua formulação: a interação entre as dimensões morais (contingência social) e “instintivas” (quando alude à associação do natural ao violento, à dimensão desregrada da conduta) produz o espaço no qual os sentimentos são expressos e, segundo, não há uma relação do conteúdo moral sobre a expressão de exclusão para com os sentimentos, mas estes, quando vivenciados em situação de interação, precisam ser revestidos por formas compartilhadas de expressividade, precisam ser convertidos em linguagem.
 
Por Taís Vidal
(Membro do grupo de pesquisa Cultura, Sociabilidades e Sensibilidades Urbanas - CRH/FFCH/UFBA).           
Gente querida,

este é o primeiro informe sobre o Venturas 2013:
Em seu segundo ano de realização, o Seminário Venturas e Males da Alma acontecerá nos dias 30 e 31/05, no auditório do CRH/UFBA – Campus de São Lázaro, Salvador-BA, reunindo estudiosos de diferentes instituições e áreas de conhecimento, com o objetivo de promover a reflexão e o debate sobre os Sofrimentos da Juventude Brasileira. O tema abordará a complexidade das questões e sofrimentos envolvidos na transição para a vida adulta e na afirmação da identidade pessoal e social dos jovens.

Todos estão convidados a participar.

Em breve, maiores informações.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Seminário Venturas e Males da Alma: Um olhar sobre as emoções na modernidade

Programação:

12/04/2012 - quinta-feira

Manhã
8:00 - 8:30 Inscrição e credenciamento
8:30 - 9:00 Abertura
Dr. João Carlos Salles (Diretor da FFCH/UFBA)
Dr. Jair Batista – (Coordenador do CRH/FFCH/UFBA)
Dra. Marieze Rosa Torres (Coordenadora do Evento CRH/FFCH/UFBA)

Mesa 1. Emoções em Foco: Olhares e Perspectivas Interpretativas
Coordenação: Msc.Patrícia Smith (CRH-UFBA/UNEB)
9:00 – 9:30 As Razões do Coração - Dr. José Crisóstomo Souza (FFCH/UFBA)
9:30 - 10:00 Aventuras de Existir: a dor da alma na atualidade. Dr. George Gusmão Soares (FAMEB/CETAD/UFBA)
10:00 – 10:15 Debate
10:15 – 10:30 Intervalo
10:30 – 11:00 As Ciências Sociais e as Emoções. Dr. Mauro Koury (GREM/UFPB)
11:00 – 11:30 Perscrutando as Emoções: A sociologia à Procura do Sensível. Dra. Marieze Torres (CRH/UFBA)
11:30 – 11:45 Debate

Tarde
Mesa 2: Males da “Alma”: Sofrimento, Depressão, e Morte
Coordenação Dra. Marieze Rosa Torres (CRH-UFBA)
14:20 - 14:50 - Sofrimento e Angústia. Dr. António Nery (CETAD/UFBA)
14:50 – 15: 20 No fundo do Poço: Dores que Doem Demais. Dra. Dalva de Andrade Monteiro (UEFS)
15:20-15:30 – Intervalo
15:30 - 16:00 Dor do Descarte no Envelhecimento – Dra. Alda Mota (NEIM/UFBA)
16:00 - 16:30 Sofrimento e Morte: perspectivas sócio-antropológicas sobre as emoções no luto. Dr. Mauro Koury (GREM/UFPB)
16:30 – 16:50 Debate

13/04/2012 - sexta-feira

Manhã
Mesa 3. Construções sobre o Medo, a Culpa, a Vergonha, e o Egoísmo
Coordenação: Helder Bomfim (Instituto INTEGRO)
9:00 – 9:30 Tessituras afetivas: o revés da vergonha e o egoísmo. Dra. Maria Carmem Jacob de Souza Romano (FACOM/UFBA)
9:30 - 10:00 - Emoções disfarçadas: Ressentimento, Inveja e Culpa. Dra. Simone Brito (GREM/UFPB)
10:00 – 10: 20 Debate
10:20 - 10:30 –Intervalo
10:30 – 11: 00 – Ir para Onde? Jovens barrados, corações partidos. Miguel Silveira (Instituto COMVIDA)
11:00 – 11:30 O medo sem charme, sem nome, sem nobreza: reflexões sobre a classificação de um temor. Msc. Tania Cordeiro (FCCV/UNEB)

11:30 – 12:00 – Oficina Teatro de Emoções: a dramatizaçâo dos sentimentos. Petinha Barreto

Mesa 4. Emoções de Encontro e Proximidade com o Outro e a Moral Social
Coordenação: Dra. Leliana Sousa (CPEDR/UNEB)
14:00 – 14:30 – O Problema da Vida Reta na sociedade Contemporânea. Dra. Simone Brito (GREM/UFPB)
14:30 – 15:00 - Juntos, Gratos e Fiéis: os Sentimentos de Gratidão e Fidelidade e a reprodução dos laços Sociais. Msc. Patrícia Smith (CRH-UFBA/UNEB)
15:00- 15:30 Bem me Quer Mal Me Quer: reflexões sociológicas sobre o Amor. Dra. Marieze Torres (CRH/UFBA)
15: 30 – 15:45 Debate
15:45 – 15:50 Intervalo

15:50 – 16:40 PAINEL Emoções: Temas, Questões e Debates na Modernidade
Coordenação: Dra. Dalva Monteiro (UEFS)
Participantes
Dra. Marieze Rosa Torres (CRH/UFBA)
Dra. Simone Brito (GREM/UFPB)
Dra. Leliana Sousa (CPEDR/UNEB)
Dr. Jose Crisóstomo de Souza (FFCH/UFBA)

16:40 - Encerramento

O Grupo de Pesquisa Cultura, Sociabilidades e Sensibilidades Urbanas do Centro de Recursos Humanos – CRH e a Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia – UFBA, realizam, em parceria com a UNEB, nos dias 12 e 13 de abril, no auditório do CRH da Ufba, em São Lázaro, o Seminário Venturas e Males da Alma: Um olhar sobre as Emoções na Modernidade.


A proposta do seminário é promover a reflexão, a troca de conhecimento e o debate interdisciplinar sobre o significado e o papel das emoções na construção ou deterioração da solidariedade social, dos laços de convivência interpessoal e familiar e do bem estar físico e mental do indivíduo.

As inscrições são gratuitas, feitas através do email: venturasemalesdaalma@gmail.com. Todos estão convidados a participar.
http://www.facebook.com/pages/Venturas-e-Males-da-Alma/343188119067041

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Emoções "Indignadas": comentários a Zygmunt Bauman

O professor Bauman concedeu uma  entrevista ao jornalista Vicente Verdú, do El País na qual faz associações entre emoções fulgazes, transitórias, ou líquidas, no jargão do ilustre intelectual, e o movimento dos indignados http://www.outraspalavras.net/2011/10/18/das-emocoes-a-um-novo-movimento/ me arvoro aqui a tecer algumas considerações.
Se as emoções são, por definição, passsageiras, flúidas, ou “líquidas”, com bem coloca o professor, elas se transformam, no contexto das relações sociais, em sentimentos, e os sentimentos são, também, por definição, duradouros. No caso do movimento em questão o sentimento prevalecente é a indignação. Pergunto-me, se a emoção não constrói, como é afirmado, aonde nos levam a individualidade exacerbada, o hedonismo, e o sentimento de indiferença, prevalecentes em nossas sociedades? Ora, se é verdade que o movimento dos indignados pode ser visto como sem sustentação por lhe faltar uma proposta unificada, uma organização, uma liderança, eu me pergunto: será que as nossas referências não estão baseadas em um modelo ultrapassado? Finalista? Não podemos dizer que o movimento de mulheres ou o movimento ambientalista tenham mudado o mundo, mas seguramente ocorreram mudanças importantes.


Acredito que o estresse e a depressão ressultam de emoções experimentadas pelo 'eu' que são sistematicamente ignoradas e contidas, não sendo expressas elas se voltam contra a própria pessoa. Esquemática e simplificadamente, para limitar-me ao assunto em pauta, eu diria que o medo, longe de ser uma emoção temporária,  é uma emoção que está impregnada no cotidiano do dia a dia de todos aqueles que dependem de emprego para garantir a sua subsistência: medo de ficar desempregado, medo de nem chegar a ser um empregado. A raiva e a indignação, naturais diante de situações de desrespeito ou de injustiça, são, no âmbito profissional, reprimidas. Sob o emprego conquistado paira a nuvem escura e ameacadora do desemprego, e, para matê-lo o 'eu' paga um alto preço, sacrifica o que tem mais visceral, as suas emoções! A  Raiva sufocada   se disfarça sob a ropagem das emoções da  culpa e da vergonha e consomem o “eu”; por não ser o que se espera dele, por não ser um “sucesso”, por não conquistar e nem proporcionar melhores condições de vida para si e para os seus. A contenção sistemática dessas emoções estão na raiz de sentimentos contraditórios como o do sofrimento que se expressa no estresse e na depressão e, que tem como contraponto o de indiferença ou de apatia. Indiferença ou apatia, que são sentimentos construídos pelo “eu” através de enorme esforço pessoal e de permanente vigilância para ignorar as emoções experimentadas e evitar o sofrimento. E o faz de tal forma e com tal competência que estes sentimentos de indiferença e apatia tornam-se incorporadas como hábito prevalecendo no seu contato com o outro, criando uma barreira que garante ao “eu” a imunidade contra o sofrimento ou a sua possibilidade real ou projetada ou imaginada.


Por tudo isso é que considero, a propósito do texto apresentado pelo jornalista da entrevista de Bauman, que as emoções são fundamentais tanto para construção quanto para a desagregação social, ainda que a construção possa não trilhar os caminhos “ortodoxos” ou já conhecidos.

Marieze Rosa Torres

Salvador, 26/10/2011